A Raiz de Todos os Bens
Manual do Satanista
Este é um artigo sobre A Raiz de Todos os Bens, após sua leitura conheça nossa loja virtual.
“Marcela amou-me durante quinze meses e onze contos
de réis.”
- Machado de Assis
“Sou milionário, esta é minha religião”
- George Bernard Shawn
“É preciso ouro para fazer ouro.”
– Antigo mote alquimista
Um fato absolutamente claro e discutivelmente triste: satanistas gostam de dinheiro. Não quero defender aqui nenhuma corrente política, mas é inegável que no mundo em que vivemos, dinheiro é poder. O dinheiro é um grande aliado daqueles que amam a liberdade, pois permite que seu possuidor realize seus desejos sem que para isso tenha que optar pela mendicância e coerção. Oras “liberdade, poder e realização dos desejos” são três motes satânicos, porque então não admitirmos de uma vez que aquilo que os adeptos das antigas religiões afirmaram por tantos anos? Porque não admitir que o dinheiro é uma ferramenta do diabo?
O culto a pobreza foi uma característica inegável das antigas religiões. Tanto no oriente como no Ocidente o desapego material foi por vários séculos pregado como uma virtude. Nas degeneradas cartas de Paulo esta mentalidade fica clara quando ele afirma que “O amor ao dinheiro é a raiz de toda a espécie de males”. Contudo, não resta dúvida que desde a antigüidade os líderes religiosos pregavam a pobreza a seus discípulos mas ao mesmo tempo desfrutam de todos os benefícios que os outros eram terminantemente proibidos de aproveitar. Por muito tempo viveu-se então ou uma forte abstinência de todo o prazer e amor oriundo do dinheiro em casos de fanatismo ou uma hipócrita pregação em prol da pobreza para as massas enquanto as elites clericais viviam luxuosamente tendo sempre do bom e do melhor.
Esta condição tornou-se ainda mais estranha conforme a Era satânica se aproximava e a mentalidade humana mudava ávida de novos valores. A prosperidade material começou a ser pregada dentro das próprias igrejas e o desfrute material passou a conviver com os antigos dogmas ascéticos. LaVey já alertava sobre estes homens e mulheres que sutilmente viviam uma prática materialista enquanto insistiam em ser chamados por seus antigos nomes e a adorarem um deus de uma época que já tinha passado.
Os satanistas ao contrário destes dois exemplos dados não buscam adorar a dois Senhores ao mesmo tempo. Não acendemos uma vela para Deus e outra para o Diabo, ao invés disso apagamos o candelabro branco e recolocamos Mamon no altar que lhe é de direito, pois adoramos somente a nós mesmos. Não podemos esquecer que o Satanismo Moderno surgiu nos Estados Unidos em meados dos anos 60, ou seja, nasceu em uma sociedade capitalista e floresceu numa sociedade capitalista. Sabemos que a riqueza material pode ser fonte de maldição e alegria e não queremos nos submeter a este poder, mas sim o desejamos para nós e nos preocupamos em não cometer o mesmo erro das massas de maldizer o dinheiro enquanto lamenta a própria pobreza.
Mamon é o arquétipo satânico que expressa os bens materiais, as posses, as riquezas, o luxo, ou mais especificamente o dinheiro. A raiz de seu nome quer dizer literalmente "crédito". Não poderia haver palavra melhor para defini-lo. Inicialmente seu nome era usado para se referir a algo ou alguém a quem se dá crédito e historicamente evoluiu para se tornar um deus pagão que recebe confiança no lugar do deus tribal dos judeus.
Na prática, como demonstrou Peter Carroll, Mamon já adquiriu todas as características de um ser espiritual; ele é invisível e intangível. Não é preciso esculpir um ídolo para ele pois suas mil faces podem ser vistas nas representações físicas das moedas e notas pelo mundo todo. Como se isso já não bastasse seu poder intangível é capaz de criar efeitos poderosos na nossa realidade cotidiana. Mamon é verdadeiramente mágico, mas não espere nada tão romântico como os infindáveis grimórios medievais e suas infrutíferas formulas. O dinheiro pode realmente fazer as coisas acontecerem. Assinar um cheque é selar um contrato com Mefistófeles e pode ser muito mais eficiente para realizar um desejo do que passar noites inteiras invocando anjos e demônios.
Mamon tem suas próprias regras e protege aqueles que as seguem e que se dedicam a ele. Gaste menos do que ganha e invista a diferença é seu credo oficial. Contudo, sendo um deus mercantilista, não é necessário adorá-lo cegamente. Ao contrário do antigo deus, ele não é um deus de coerção, mas um deus de troca. Um simples acumulo, desprovido de desfrute é algo que ficaria mais adequado a um protestante do que a um satanista. Morrer pobre pode ser um pecado para o satanista, mas viver pobre é uma heresia ainda maior.
Dinheiro, como foi dito, é uma ferramenta do diabo. Uma ferramenta que ele usa para atingir seus próprios objetivos. Os satanistas aliam esta a outras de suas armas e com elas buscam aproximar suas realidades de seus desejos. A proximidade daquilo que se é para aquilo que se gostaria de ser é o melhor meio de medir a riqueza. O conteúdo de nossas carteiras é simplesmente uma maneira de se atingir esta riqueza pois pode fazer um presente aparecer para alguém que amamos ou um filet mignon surgir em pouco tempo no nosso prato com muito mais eficiência do que poderia fazer qualquer vara de condão usada num passado remoto já carente de qualquer significado.
Há uma blasfêmia aos ouvidos de Croesus que prega inocentemente que o rico é um ser infeliz. A popularidade dos contos sobre o infortúnio do rico é testemunhos deste ingênuo mito vigente. O que não se pode definir é se esta mentalidade existe porque eles são pobres ou se eles são pobres porque esta mentalidade existe. De qualquer forma um círculo vicioso é formado e a ode a miséria é cantada por mais uma geração.
Enquanto a massa continua sendo guiada por antigas doutrinas de culto à pobreza e gasta seu tempo largado no sofá de domingo, suas vida bovinas passarão na frente dos seus olhos e logo morrerão sem ter aproveitado as experiências maravilhosas que somente Mamon pode fornecer. Muitos morrerão sem saber que enquanto agonizavam na fila de um sujo hospital havia um satanista crescendo em poder, usando parte do seu tempo para pensar em como ganhar mais e mais Dinheiro, e o restante dele para aproveitá-lo da melhor forma possível.
