Eutanásia
Manual do Satanista
Este é um artigo sobre Eutanásia, após sua leitura conheça nossa loja virtual.
“Qual uma estrela cadente, uma cegueira, uma lâmpada,
Um passe de mágica, gotas de orvalho ou uma bolha,
Qual um sonho, um relâmpago ou uma nuvem,
Assim deveríamos encarar tudo que é condicionado.”
- Sidarta Gautma Buda
“Morrer me parece menos triste do que ter vivido
pouco.”
-Gloria Steinem
“Se eu penso na morte mais do que as outras pessoas, é provavelmente porque eu amo a vida mais do que elas.” -Angelina Jolie”
Qual a pior coisa para uma pessoa? A morte, rapidamente muitos dirão. Mas o que é a morte senão o fim de um reinado, o desvelar de nosso manto de carne e a devolução ao eterno vazio de nossa coroa egóica? A Eutanásia é vista com horror pelos religiosos. O que não é surpresa. Pois temer a morte é a reação normal de quem sabe como viver. Esta condição só causa temor para quem nunca verdadeiramente reinou e perdeu a oportunidade de uma vida inteira.
O Satanista é o herói trágico comentado por Nietzsche, que aceita a condição da morte sem qualquer desejo, que reconhece a lei natural e não tenta enganá-la ou enganar a si mesmo, pois sabe que no fundo este é um ato de pura covardia. A Lei da Entropia é indiferente às necessidades pessoais, se a lei é a do mais forte, a morte é a mais forte de todos. Mas o Satanista não a teme, pois viveu na exaltação de seu Ego, sempre sabendo que o Ego não é real mas apenas uma conjectura da natureza a ser usada pelos seres vivos.
O restante da massa decaída agarra-se com todas as forças no erro de que o Logos e o Ego sejam uma coisa só. O Ego é algo que foi construído durante a vida e deve morrer quando esta morrer, este é moldado pelo convívio social, experiências pessoais e conjuntos ideológicos. Mas o Cosmos é o Sol Negro, um vazio pleno e sempre presente, e quando este se desvela todos os constructos humanos não são mais do que sujeira pueril.
O medo da morte é simplesmente o medo de levantar o véu e ver que não há rosto por baixo dele. É ainda com esta garantia da existência e sobrevivência do Ego após a morte que se seduzem as massas com os paraísos vindouros do pós-vida, onde então poderão reinar mortos como não reinaram em nossa terra quando ainda estavam vivos. Garantindo a eternidade do Ego, a pequenina espécie de primata subsistindo no terceiro planeta de nosso sistema solar dá a si mesma uma importância que a mesma não tem, e em seu torpor imagina ingenuamente que o Cosmos inteiro se curva a seu dispor. É esta mesma ilusão que faz com que o próprio homem diga que suas divindades locais o criaram à sua imagem e semelhança. Se vermes tivessem deuses, estes seriam vermiformes!
No entanto os satanistas vivem de maneira articulada com a Natureza. Não desprezam seu Ego em vida, nem buscam se agarrar a ele na morte. Como um personagem em uma peça teatral, o satanista vive o momento a todo instante, e se valoriza o roteiro de seu Ego não tenta prolongar a vida deste quando as cortinas se fecham. É assim que o Satanista vive como artista e morre como personagem, sem qualquer ânsia de resultado; completamente articulado com o Logos transcende a ilusão do Ego sem cometer o assassinato prematuro do mesmo.
Mas quem pode decidir quando este Ego deve terminar seu reinado senão o Self de cada um? A morte, apesar de não ser o fim da vida, pode ser o fim de muita dor. É por isso que existem tantas pessoas hoje em dia cujo principal desejo em sua vida é a morte, pessoas em sofrimento, com graves debilidades físicas enfim, todos os tipos de pessoas defeituosas e sofredoras. A eutanásia, ou como Crowley colocou “o direito de morrer quando e onde se quiser” é uma liberdade que a sociedade ainda insiste em negar ao indivíduo, contrariando assim o que é natural em todos os seres.
Qualquer pessoa deveria ter plena consciência do que quer e do que não quer: se alguém não quer mais a vida, quem somos nós pra discutirmos? Por acaso a sociedade exterior tem mais direitos sobre o Ego do que nosso Self interno? Ninguém tem o direito de interferir na vontade alheia! Se você adora a vida aproveite a sua e deixe a dos outros em paz, mesmo que essa pessoa não tenha nenhum problema físico ou psicológico. Mesmo se fosse bem sucedida e saudável, se ela quisesse se matar deveria ser completamente livre para fazê-lo. A vida deveria ser um direito, e não um dever. Pense que ao negar a morte a uma pessoa você deveria então se tornar responsável pela vida dela, você está pronto para assumir tal fardo?
A massa decadente, reativa a tudo o que é natural, tem tanta dificuldade em conversar sobre a morte quando sobre sexo. É isso é em parte culpa de seu passado histórico, que desde o inicio nega quaisquer impulsos de liberdade. Na Torah, livro que deu origem ao Antigo Testamento da Bíblia Católica, por exemplo, existe a idéia de que se alguém entrar em contato com algo morto, este alguém tornaria-se impuro por certo tempo. E se por um lado tal instrução guarda certa sabedoria sobre higiene reservava também a semente que faria a morte passar a ser tratada como uma doença contagiosa. Hoje em dia não se pode nem conversar sobre a morte sem ser visto com pelo menos alguns olhares de estranhamento, como se estivesse tocando no proibido.
Ainda hoje o suicídio é visto, se não mais como pecado, sempre como uma doença e crime. Se alguém não tiver sucesso em acabar com a vida este alguém será processado pelo estado. E como todo deus renegado converte-se em um demônio a morte, enquanto auto-indulgência, converte-se em práticas ainda mais terríveis. Se não se pode acabar com a própria vida então se vive em automutilação e desespero corroendo não só a própria existência como as dos demais. Não se pode desligar os aparelhos, então se prolonga o sofrimento sem cura. Não se pode executar o criminoso então se estimula o crime, sustentando os criminosos e os retornando como cânceres e parasitas humanos ao convívio com outras pessoas que foram vítimas, diretas ou indiretas, de seus crimes.
Enfim, o direito sobre a morte, especialmente a própria morte, representaria a
autonomia completa sobre a própria vida. E isso é algo que a sociedade
decadente não pode permitir. A morte só é vista como algo bom quando ocorre em
suas formas mais viciada. Quando se morre por um deus, se é um mártir. Quando
se morre por uma sociedade se é um herói.
Chega-se então a hora do indivíduo retomar posse sobre a sua morte, e só
quando isso acontecer será então senhor de sua própria vida.
