O Desfavor do Altruísmo
Manual do Satanista
Este é um artigo sobre O Desfavor do Altruísmo, após sua leitura conheça nossa loja virtual.
“Uma coisa pode parecer ruim e ser boa. Do mesmo modo, o que é ruim pode não parecer mau. As atitudes corretas não são evidentes à primeira vista.” – Sidarta Gautma Buda
“Essas pessoas como a Madre Teresa, que têm ajudado os pobres por séculos, são, na realidade, a causa da continuidade da pobreza. O pobre não pode ser ajudado da maneira que Madre Teresa está ajudando. Isso não é ajuda. Simplesmente vai salvar uns poucos etíopes que irão produzir mais etíopes para sofrer.” – Osho
“Se tens contudo, um amigo que sofre, sê um asilo para o seu sofrimento, mas até certo ponto um leito muito duro, um leito de campanha: assim ser-lhes-às mais útil.” - Friedrich Nietzsche, Assim Falou Zaratustra
Para os fins deste ensaio, é necessário que logo em seu começo definamos o que é em essência um altruísta. Tido quase unanimemente como a mais bela da virtude, erroneamente confundido com o amor, o altruísmo revela-se após astuto exame como o mais decadente e doentio símbolo da reatividade humana, que grandes homens como Nietzsche acusaram estar presente na História Humana. O altruísta é aquele que se preocupa com próximo engajando-se em algum ato de caridade. Ironicamente, não pode haver ninguém mais egoísta do que este tipo de pessoa.
Em primeira instância o que move a caridade não é nada além da pura satisfação pessoal que inconscientemente leva o altruísta a empreender atos de caridade. No fundo, o altruísmo não existe por causa de seu alvo mas essencialmente do seu autor. Qualquer pessoa que se julgar imune de tais processos de gratificação sentimental é um hipócrita, como já foi esplendidamente discutido na Bíblia Satânica.
Até aqui não existem grandes problemas, acontece que os maiores prejudicados não são os próprios altruístas, mas sim aqueles que convivem com eles. Em primeiro lugar o altruísta ansioso em espalhar aquilo que chama de “amor” pelo mundo, freqüentemente se esquece de amar aqueles que merecem seu apoio em primeiro lugar. As pessoas que de fato merecem a atenção do altruísta são negligenciadas em favor daqueles que nada fizeram para merecer tal coisa. O altruísta interessado em amar mais invariavelmente acaba se esquecendo de amar melhor.
Os estragos do altruísmo ideológico não param por aqui. Para ilustrar este ponto contarei uma pequena história: Nos dias de minha infância, lembro-me quando me deparei com uma borboleta, que lutava contra seu próprio casulo tentando se libertar. Por horas ela teceu aquele que seria seu lar por meses, e agora criara asas e em breve poderia voar. Aconteceu que fui movido pelo impulso anti-natural no qual tinha sido criado, peguei um graveto e ajudei a borboleta a abrir o seu casulo. Depois disso ela caiu no chão e morreu. Nunca pode voar.
Hoje, anos tendo passado já sei que destruir o próprio casulo é parte fundamental para a formação da borboleta. Fazendo isso ela fortalece o corpo e bombeia os fluidos que farão de suas asas instrumentos fortes que as levarão pelo ar para onde quiserem. Da mesma forma o ato altruístico é um grande desfavor para aquele que supostamente é beneficiado. Carregar o caído é priva-lo de andar com os próprios pés.
Mas é desta forma que a humanidade tem andado e assim as pessoas continuam numa verdadeira criação em série de fracos e incapazes. Para comprovar isto basta ver o quão incapazes são os animais quando do cativeiro voltam para seus lares naturais. Por terem sido alimentados, não mais caçam e por terem sido protegidos não sabem mais se defender.
O ser humano é naturalmente interesseiro, o interesse pessoal é uma das forças motrizes de toda a natureza. O tigre mata para viver e as abelhas com certeza não fazem o mel para ser saboreado em nossas panquecas. Os animais sociais, no entanto, como os lobos e os primatas, incluindo aqui aqueles primatas que usam roupas e colocam mel em panquecas, têm algo que os destaca: eles colaboram uns com os outros, mas o interesse pessoal continua.
É natural que uma mãe cuide de seus filhos, estes são os seus instintos, e é perfeitamente normal que uma pessoa colabore com outra nos círculos sociais em que vive, fazendo isto ganha a confiança e talvez uma colaboração futura daqueles com quem convive. Logo no período neolítico, quando descobrimos que não seria possível matarmos um búfalo com só uma pedra, nós humanos começamos a desenvolver sentimentos de fraternidade. Ainda hoje é comum uma pessoa se sentir levemente incomodada por ter que almoçar sozinha.
Tal cooperação significou mais carne e mais tempo livre para todos, e os laços de amizade além dos familiares passaram a se fortalecer. Hoje quando emprestamos dinheiro, não só queremo-lo de volta como queremos quase que garantir que se um dia precisarmos teremos um empréstimo também. Quando um irmão faz algo para outro, no âmago de seu ser sabe que com ele conviverá por certo tempo, e que assim algo pode ser feito em beneficio de todos. Não é nada mais natural, portanto, desenvolvermos um instinto de trocas fraternais, que nos leva a usufruir dos benefícios da cooperação, assim como também é natural nos distanciarmos de qualquer ser que tenha quebrado este "contrato social". É assim que funciona, e trocas de favor não devem ser confundidas com altruísmo.
A concorrência e cooperação são instintos naturais que se manifestam no ser humano, e cada um deve acontecer no seu próprio momento. A cooperação é natural quando acontece no núcleo familiar ou em pequenas comunidades na qual as pessoas se conhecem e se respeitem mutuamente. Mesmo porque a cooperação pode ser a união de duas pessoas contra um inimigo comum, enquanto que a competição pode ser temperada com o sentimento de fraternidade. O altruísmo só é, na verdade perigoso na mediada em que deixa de ser uma expressão natural de companheirismo para se tornar uma forma viciada de ideologia
Todos conhecem aquela história do caçador que tira um espinho da pata de um leão e ganha para sempre um amigo. Ora, se o ato de auxilio for, no lugar de colaborar para a fraqueza do ser ajudado (como no caso da borboleta) fazer-lhe ficar mais forte, então que assim seja. Um leão agradecido certamente será de grande valia quando você se aventurar na floresta novamente. Cada ato precisa de analise própria para que não acabemos por ajudar um ser mal agradecido por engano como a tartaruga que ao ajudar um escorpião que não sabia nadar a atravessar um rio recebe uma picada no pescoço quando se encontra no meio da travessia com o pequeno aracnídeo no casco, antes de afundar pergunta a ele porque a picou: não apenas eu o estava ajudando como agora ambos vamos morrer, eu envenenada e você afogado! O escorpião respondeu: antes de me oferecer a ajuda você já sabia que esta era minha natureza, só fiz aquilo que me é natural. E ambos afundaram nas águas escuras do rio. É necessária a fortificação do caráter individual e não o simples incentivo a toda espécie de altruísmo.
Por isso o satanista deve estar alerta, favor é favor e altruísmo é altruísmo. A troca de favores têm um papel a cumprir em meio a animais sociais como os humanos, e visa, sim, o interesse pessoal. Mas o altruísmo puro, em sua forma ideológica é o doce veneno que ilude o ególatra e finge criar um mundo melhor, quando na verdade é um agente incapacitador. O Altruísmo é acima de tudo um desfavor que cria um mundo de borboletas caídas sem forças para voar.
