O Príncipe deste Mundo
Manual do Satanista
Este é um artigo sobre O Príncipe deste Mundo, após sua leitura conheça nossa loja virtual.
“Diga dentro do seu próprio coração, "Eu sou o
meu próprio
redentor.” – Anton Szandor LaVey, Biblia Satânica
“Claro, Tu és Deus... mas quem não é?” - Robert A. Heinlein, Um Estranho numa terra Estranha.
“Eu juro que é melhor, não ser um normal, se eu posso pensar que Deus sou eu.” – Arnaldo Baptista e Rita Lee
Como já foi dito em outra ocasião, os quatro Príncipes Infernais ocultam em seus signos uma grande chave para a emancipação pessoal. O satanista que se dedicar ao estudo dos quatro arquétipos, encontrará um guia seguro a ser trilhado na via sinistra. Leviatan é o conhecimento da sombra. Satã é a rebelião contra a escravidão. Lucifer é a ascensão pessoal e por fim Belial é a Maestria da Terra. Comentar um pouco sobre a importância deste quarto príncipe é o objetivo deste capítulo
Por muitos séculos Belial já foi chamado de “O Príncipe deste mundo”, “o Senhor da Terra” e é exatamente isso que sua figura representa. Ele expressa a tomada de poder do ser humano, como uma expressão simultaneamente carnal e divina, por mais que isso pareça contraditório aos antigos padrões. Ele é a superação do Ego-Social e sua conseqüente transformação no Self Satânico e isso só pode acontecer após um longo período de preparo e a morte de seu antigo eu.
Todos vivemos na terra, mas uns vivem de ilusão e outros de constatação, uns vivem para reinar e outros para obedecer, uns vivem na teoria e outros vivem na prática, uns vivem como um deus e outros vivem sem saber. A grande lição do senhor da terra é de que não devemos estar com estes últimos.
O principal atributo de Belial é o reconhecimento de que não existe outro deus senão você mesmo. Isso não pode ser compreendido na base do puro intelectualismo, é preciso experimentar tal verdade para poder afirmá-la. Especialistas sugerem que o nome deste príncipe vem do Hebreu: “beli ya 'al” que aparentemente significa "Aquele que não têm Valores". E isso não é mentira, se entendermos que todos os antigos valores eram baseados em uma moralidade escravocrata que exaltava a fraqueza e a escravidão. Não há satanistas onde há valores assim, ou melhor: eles existem, justamente para acabar com esses valores. Belial não é um seguidor, mas um criador e como criador ele cria uma moral própria, expressando-se assim como alguém de fato emancipado de todos os antigos valores, exceto é claro, daqueles que ainda acredita serem válidos.
Belial representa a destruição de todos os preceitos tradicionais criados pela debilidade e que buscavam estimular comportamentos “bons” de modo a satisfazer os interesses da massa de fracos ressentidos. A antiga tradição entregou uma carta de boas maneiras ao coração do homem e a prendeu nele com uma faca afiada. Ela vulgarizou o amor tornando-o obrigatório e marginalizou o ódio tornando-o proibido. Não é preciso dizer que na prática o amor e o ódio nunca deram a mínima para esta moral criada e continuam existindo como sempre existiram. A postura do príncipe da Terra reconhece isso e expressa tal entendimento em um comportamento seguro, independente, individualista tornando-se antes de tudo senhor de sua própria vontade. Belial sabe sentir como nenhum homem e ainda assim consegue ponderar aquilo que sente com sua mente racional.
Outra linha de pensadores defende que o nome deste príncipe infernal signifique "O Desobediente". Neste sentido Belial se equivale a Satã, o Inimigo, e por que não a Lúcifer, o Rebelde, mostrando que no fundo, todos os Príncipes Coroados do Inferno são aspectos de um só nobre que recebe o nome de Self e é a interseção entre o Ego e a grande majestade Baphomet.
Para cumprir sua função de mestre terreno, de deus materialista, Belial se coloca além de definições tribais sobre de bem e mal, sendo que ele mesmo é o seu próprio e único Senhor. Os antigos grimórios não erraram ao constatar que o inferno nunca recebeu espírito mais dissoluto, mais bêbado, nem mais enamorado enquanto o céu nunca perdeu mais formoso habitante. Ele é o estabelecimento pleno do Super-homem proposto por Nietzsche, pois concentra a própria existência no nosso mundo, aqui e agora. Não segue punições ou recompensas de mundos metafísicos puramente conjeturais, tal como prometido por esta ou aquela religião e nos convida a viver a vida, em toda a sua angustia e jubilo, tal como ela realmente é.
Os homens maus no Antigo Testamento são especificamente chamados como "Homens de Belial" da mesma forma a palavra é utilizada na expressão "torrentes de homens indignos" (Nachalei belial) que é erroneamente traduzida hoje em dia como "torrentes do diabo". Mas se para os hebreus um “Homem Mal” é um homem que não segue as regras impostas por seu deus Javé e se rebelando contra seus dogmas e doutrinas e ousando pensar de forma individual, então convenhamos... Ser um chamado de "homem indigno" pelos escravos do antigo templo é certamente um grande elogio.
