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O Ritual Satânico

Manual do Satanista

Este é um artigo sobre O Ritual Satânico, após sua leitura conheça nossa loja virtual.

-razões modernas para antigas práticas-

 

“Sou de uma raça antiga: meus pais eram escandinavos; eles trespassavam suas costas, bebiam o próprio sangue. – Farei incisões por todo o corpo, me tatuarei, quero ficar horroroso como um mongol; verás, uivarei pelas ruas” – Rimbaud

“É perdendo o controle na ficção que eu posso me controlar na realidade”
 – Marques de Sade

“A única altura em que se pode abordar a auto-ilusão é quando ela é divertida, e feita conscientemente. Mas desta forma, já não é mais auto-ilusão!” – Anton Szandor LaVey, os Nove pecados satânicos

Uma execução do hino nacional. Uma festa dos anos 60. Uma partida de futebol. Uma formatura. Uma celebração de aniversário. Um batizado. Um encontro do partido nazista. Uma dança indígena. Uma cerimônia chinesa do chá. Um funeral. Todas estas manifestações culturais mostram que o Ritual é algo presente em todas as culturas, sem exceção, e mais do que isso, é algo inerente ao comportamento humano.

Desde seus primórdios o ser humano buscou espelhar sua visão de mundo em rituais e celebrações. Nas palavras de LaVey: “uma coisa é aceitar algo intelectualmente, mas aceitar a mesma coisa emocionalmente é um assunto completamente diferente”. Com a falência das religiões institucionalizadas, a humanidade tornou-se carente de tais manifestações. O ser humano precisa de fantasia e encantamento em suas vidas, se não conseguir isso em um espaço-tempo adequado e limitado, buscará isso em outras esferas de sua vida e acabara sendo vítima de suas próprias fantasias. O Satanismo percebe esta realidade e este é o primeiro motivo da existência de rituais satânicos.

Mas para que serve um ritual? Quais as razões lógicas para seres humanos dotados de razão de livre arbítrio e engajados na auto-deificação se engajarem em práticas diferenciadas de seu dia a dia padrão? O motivo mais óbvio é o mesmo que leva pessoas a freqüentarem aulas de teatro, a irem ao cinema e é o mesmo que  faz do carnaval e das festas a fantasia algo tão popular. Através dos Rituais Satânicos, os satanistas simulam situações incomuns e vivem universos distintos. Graças a eles existe a possibilidade de se viver uma realidade à parte daquilo que estão acostumados, de uma forma segura e controlada. Por um instante os participantes dos Rituais Satânicos podem ter a certeza de que nada é impossível.

Todo o rito e cerimônia guardam ainda em si ainda a propriedade de ser um reforço ideológico daquilo que representa. Da mesma forma que uma missa reforça a doutrina cristã e a dança da chuva reforça a crença ameríndia, qualquer ritual satânico reforçará também a filosofia satânica. Os rituais satânicos são realizados somente após uma compreensão intelectual da filosofia e uma vivência pessoal da mesma, não sendo portanto somente uma expressão cultural de idéias mas um reforço consciente daquilo que se vive dia  a dia.

Não há uma só religião humana que não possua em maior ou menor grau algum tipo de cerimonial, e neste caso o Satanismo não é uma exceção. Todo ritual está envolto em uma especificidade do espaço-tempo normal. Esta é uma das principais características do ato ritual, ele acontece em um momento e em uma atmosfera especialmente reservados e criados para ele. A Simbologia das palavras dos objetos usados, do uso ou não de roupa, da música e dos perfumes presentes, dos estímulos visuais, etc. são formas bem claras de dizer que algo especial, ou no mínimo diferente, está acontecendo.

Os Rituais Satânicos funcionam, em sua grande maioria, exatamente como um psicodrama; técnica desenvolvida por um aluno de Freud chamado Jacob Levy Moreno, no começo do século XX e desde então amplamente utilizado em  empresas, hospitais, e clínicas, como uma alternativa para a falta de vivência do fantástico da qual o homem de hoje é vitima. Um Psicodrama é a vivência de personagens e mundos únicos que permitem uma via de investigação da psique e das relações interpessoais ou de uma pessoa consigo mesma.

Estas são as razões iniciais para a prática dos Rituais Satânicos. Por meio deles, um adulto pode ser uma criança, uma anciã pode ser uma virgem, um cavalheiro pode ser um depravado, um intelectual pode ser um animal do campo e uma mulher pode tornar-se um homem. Não há risco de se confundir realidade com fantasia, pois se vive a fantasia intensamente e de modo organizado e muito bem delimitado. Mais do que isso, ao iniciar o Ritual as barreiras do impossível são quebradas e, de repente, o satanista se dá conta de que mesmo a magia é agora real. Muitos satanistas teriam muito gosto em discordar de mim, eu não os culpo. No fundo, no fundo, só existem duas razões para alguém empreender um Ritual Satânico: porque gosta e porque ele funciona.




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