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Puxa-Saquismo

Manual do Satanista

Este é um artigo sobre Puxa-Saquismo, após sua leitura conheça nossa loja virtual.

- eu sou o cachorro de baixo-

“Deus é inseguro e criou Adão à sua própria imagem para poder contemplar a si mesmo como num espelho” - Richard Stengel, A História do Puxa-Saquismo

Qualquer pessoa que já tenha ido ao zoológico ou assistido a um documentário no Discovery Channel sabe dizer que atividade social mais freqüente entre os chimpanzés é a limpeza corporal. Pais e filhos, machos e fêmeas, chefes e subalternos limpam os pêlos uns dos outros e parecem sentir prazer nisso. De fato, se um chipanzé quiser acasalar vai ter que se valer desta arma, mas ao contrário do que pode estar pensando, ele não vai buscar insetos nos pelos nas fêmeas, mas sim limpará a pelugem do macho dominador. Porque? Porque é ele que controla o acesso às fêmeas.

Pesquisas mostram que o nível de serotonina – neurotransmissor responsável pela sensação de prazer – no cérebro de macacos bajulados por seu bando é 25% maior em relação aos demais bajuladores. Ou seja, quanto mais puxam o seu saco maior sua auto-estima, sua segurança e seu prazer. Mamãe natureza confirma, puxar o saco faz bem.

Bajulação é também a estratégia social muito antiga entre humanos. O elogio, desarma, somos criados em um mundo do qual acabamos não esperando reconhecimento muito menos admiração. Subitamente somos postos de frente com alguém que o destaca da multidão como alguém especial e se isso é feito corretamente é difícil não se deixar levar por este oásis de exaltação que o eleva deste deserto de indiferença chamada sociedade.

Para se elogiar é preciso antes de tudo nunca correr o risco de parecer falso. A busca por esta aparente sinceridade pode ser facilitada por algumas dicas. Primeiro: Um elogio especifico é mais bem aceito que um elogio generalizado.   Por exemplo, dizer algo como “ Eu gostaria de ter esta sua facilidade com contas matemáticas” parece ser bem mais sincero do que “Você é o máximo.”

A segunda manha para se parecer sincero na bajulação é, Acredite nos seus elogios e eles se tornarão sinceros. Em outras palavras há duas coisas a se fazer, ou você em seu íntimo passa a acreditar que aquele memorando horrível que seu chefe escreveu foi genial ou pode buscar algo de realmente admirável no comportamento dele. Busque algo que realmente inveje na pessoa, todo ser humano têm algo de que se orgulha, descubra o que é e ataque. Ignore a letra horrível de seus superiores e olhando para a foto dos filhos em suas mesas diga; “Eles são lindos. Você deve se orgulhar deles...”. Isso é especialmente aconselhável se você é o tipo de pessoa que não se sente bem mentido (vá cuidar disso urgente!), pois quem não sabe mentir não deveria tentar. Procure portanto algo que você realmente admire e exagere este algo de forma que o elogio pareça mais sincero.

As pessoas gostam de serem notadas e bajuladas, mas lembre-se que todos adoram um admirador e mas nem todos aturam um puxa-saco. Portanto não seja descoberto. Não pareça interesseiro, seus elogios devem parecer despropositados. Nunca faça um elogio e peça um favor ao mesmo tempo. Esta situação é muitas vezes usada em comédias de situações quando o filho diz ao pai, “Pai, você é o melhor pai do mundo, tenho tanto orgulho de você.” E ele já tira uma nota de dez da carteira para o filho ir embora. O melhor é bajular quando você realmente não precisa de nada, isso lhe dará uma relativa segurança para o futuro e tornará o seu testemunho mais crível.

Para não se correr o risco de ser tachado como o bajuladorzinho barato que você é, pode-se ainda apelar para outras táticas, uma delas é elogiar as pessoas na ausência delas. Com isso você mata dois coelhos de uma vez, pois mostra para a sociedade que você não é interesseiro e ainda corre o ótimo risco de seu elogio chegar aos ouvidos da outra pessoa através da boca de outras pessoas.

Evite chavões, não faça o mesmo elogio para mais de uma pessoa. Aqueles que observam ou acompanham os seus movimentos podem acabar detectando alguma espécie de padrão puxa-saco em seu comportamento, e isso pode ser o começo de sua ruína. Além disso as pessoas alvo de sua bajulação podem em uma conversa informal, através do cruzamento de dados, descobrir as péssimas intenções que você tem.

Na hora de puxar o saco evite o velho caminho de terra batida pelas milhares de pegadas da multidão. Um bajulador inexperiente tende a pegar a via principal para o coração de alguém e acaba sendo parado pelo excesso de tráfego. Não seja óbvio demais. Elogie uma modelo por sua inteligência e um administrador por se vestir bem.  Na mesma medida, não force a barra, se a modelo do exemplo acima for uma imbecil, não adianta elogiar sua sapiência. A saída seria algo como seu bom humor ou seu jeito com crianças e animais.

Cada pessoa têm em algum lugar de seu ego uma ferida, todo o ser humano têm uma falha, um defeito. Descobrir este defeito pode nos dar uma grande pista na hora de encontrar o ponto fraco sucessível a bajulação. A própria natureza humana, não permite que sejamos bons em tudo. Detecte uma fraqueza e louve seu oposto. Por exemplo, se o alvo não têm tempo para a família, é porque é um trabalhador incansável. Se não se dedica no trabalho é porque sabe dar valor a família.

Também será astuto de sua parte saber quando parar, não gaste toda a sua munição na primeira oportunidade. Exagero pode levar à indesejada desconfiança. Lembre-se que regar uma planta vinte e quatro horas por dia não fará ela crescer mais rápido.

Bajulação é mais um recurso para o seu armorial social, e pode render ótimos resultados, nem todos já nascem no topo da pirâmide ou tem acesso a ele de mão beijada.

No entanto se o simples uso da bajulação fosse suficiente, todo mundo o adotaria, e portanto ela não teria muito valor. É preciso mais do que isso, devemos ter paciência, sutileza e senso de oportunidade. A bajulação deve ser uma ferramente em suas mãos, não um estilo de vida. Concorde, mas não com tudo. Elogie, mas não sem parar. Bajular é como cuidar de um jardim, muitas pessoas podem desistir no meio do caminho, mas aqueles que persistem em seus cuidados encontrarão graduais recompensas.





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