Quarto Círculo Infernal - A Riqueza que Brota do Chão
Manual do Satanista
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“Do mesmo modo, para as riquezas mundanas designou-se uma ministra para que ela cuidasse de permutar, de tempos em tempos, os bens profanos entre as nações e famílias, livres do alcance da cobiça humana. Então, enquanto uma nação impera, outra enfraquece, de acordo com o arbítrio dela, que é oculto como uma serpente na relva. Vosso saber não tem poder sobre sua lei, pois ela prevê, julga e rege sobre seu reino. E ela nunca pára. É amaldiçoada até por quem deveria louvá-la, mas como é beata, ela não os ouve, e continua a girar a sua roda eternamente.” - A Divina Comédia, Inferno, Canto VII
O ar se torna mais denso e os passos mais pesados… é chegada a hora de pronunciarmos verdades ainda não reveladas e seguimos para o quarto circulo infernal onde mesmo os anjos evitam entrar. Já passastes pelos caminhos anteriores e queimastes com o fogo do inferno o ranço celestial de mentiras e ilusões que ainda havia em seu corpo. Teu coração já sente o peso de todo o universo sobre si e estas, portanto, finalmente preparado para adquirir a fortuna do mundo físico.
Saibas que seres das nuvens não podem entender o que se passa no abismo. Só conseguem ver a verdade desde caminho denso como o núcleo de uma estrela morta, as almas que passaram pelos círculos anteriores e se livraram por lá das amarras e falsidades do espírito. Visitantes de mentes fracas, assim como os meros curiosos só enxergarão aqui loucura, sofrimento e abominação. Não suportando o peso da responsabilidade projetarão aqui sua própria covardia.
É Pluto, o rei das riquezas terrenas que sabiamente, em posse de sua cornucópia, guarda a entrada desta terra dos desavisados que vem parar aqui. Pluto no entanto não proíbe ninguém de entrar, mas com suas palavras “Pape Satàn pape Satàn aleppe!”, adverte os tolos e ingênuos de quem é o solo em que se entra. Sorrindo então este antigo deus deixa mesmo os incautos passarem por ele; e o incauto realmente passa para seu próprio prejuízo. É melhor que seja assim.
Aqui é de fato a terra da avareza e do apego ao mundo. Este é o verdadeiro santuário da indiferente, cega e injusta deusa Fortuna, que sob seus desígnios atira sem saber aonde ou a quem seus presentes materiais. Sabemos que seus infinitos recursos são jogados igualmente aos tolos e aos sábios, aos fracos e aos fortes. Mas sabemos também que são somente os sábios e os fortes que de fato usufruem tal sorte. Sabemos que Fortuna não é beata, mas é uma devassa que adora fornicar e depois abandonar os seus próprios filhos.
No quarto circulo infernal, banhados pelo pantanoso rio Estige no qual nadam os irados, cultivamos o negrume da terra e dela fazemos brotar a árvore da vida na qual vivem mil serpentes. É sob este carregado ambiente que começa a verdadeira alquimia sinistra. Será agora ensinada a ti a terrível Arte Negra que faz do momento eternidade, que faz o céu descer ao chão, o peso revelar-se como luz e que por último faz a pulsante carne humana finalmente parir sua própria divindade.
