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Questão de Fé

Manual do Satanista

Este é um artigo sobre Questão de Fé, após sua leitura conheça nossa loja virtual.

- os perigos do Espírito Santo.-

“Este ódio de tudo que é humano, de tudo que é ‘animal’ e mais ainda de tudo que é ‘matéria’, este temor dos sentidos... este horror da felicidade e da beleza; este desejo de fugir de tudo que é aparência, mudança, dever, morte, esforço, desejo mesmo, tudo isso significa vontade de aniquilamento, hostilidade à vida e recusa em se admitir as condições fundamentais da própria vida”. – Friedrich Nietzsche,  o Anticristo.

“O homem nasce para viver, e não para se preparar para viver”- Boris Parternak

“A Maioria das pessoas preferiria morrer à pensar; de fato, muitas o fazem” – Bertrand Russell

Tradicionalmente se diz que o Espírito Santo age pelo poder da fé. Quero então só contar-lhes uma pequena história que ilustrará que a credulidade pode ser um jogo perigosíssimo de se jogar... Havia um homem que estava perdido no deserto, sua pele estava queimada e rachada pelo Sol e sua magreza e olhos fundos indicavam a qualquer fortuito observador que ele certamente estava prestes a morrer de sede. No entanto não havia mais ninguém por lá.

Acontece que ao longe ele pode enxergar uma cabana entre as loucas danças de vento e areia daquele clima desértico. Ele apressa-se apesar de suas poucas forças por mais alguns metros e em exaustão chega àquela velha cabana, desmoronando, sem janelas, sem teto.

Caído de joelhos devido a sede e ao cansaço o pobre homem encontra no interior daquela abandonada morada toda a sombra que necessita, e ele se aconchegou na sombra, fugindo do calor do sol desértico e de toda aquela luz que o cegava.

Parcialmente recuperado pode observar melhor o interior da pequena cabana e de pronto enxergou uma enferrujada e velha bomba de água. Ele se arrastou até ali, agarrou a manivela e começou com toda a sua esperança a bombear o velho engenho sem parar. Bombeou por alguns instantes mais nada aconteceu e desapontado, caiu prostrado, para trás.

Viu então que ao seu lado havia uma velha garrafa suja de pó e fechada com uma rolha. Limpou-a para remover a sujeira e olhou-a com atenção. Pode ler um recado que dizia: “Meu amigo, para que a bomba funcione você precisa primeiro prepara-la, molhando-a com toda água desta garrafa.” O homem então arrancou o bilhete que estava na garrafa e pode constatar que estava realmente quase toda cheia de água pura. De repente, ele se viu num dilema.

Se bebesse a água da garrafa tinha certeza que poderia continuar a caminhada até a cidade mais próxima e poderia sobreviver. Mas se despejasse toda aquela água na velha bomba enferrujada, talvez obtivesse água mais fresca, bem fria, lá do fundo do poço, toda água que quisesse. Ou talvez não. Que deveria fazer? Despejar a água na velha bomba e esperar vir a Ter água fresca, fria, ou beber a água da velha garrafa e desprezar a mensagem? Será que ele poderia confiar naquele bilhete escrito por um autor desconhecido?

Com relutância, após certa meditação o homem despejou toda a água na bomba. Em seguida, agarrou a manivela e começou a bombear... e a bomba pôs-se a ranger e chiar sem fim. E nada aconteceu!

E a bomba foi rangendo e chiando. Rangendo e chiando, rangendo e chiando, dando mais sede à seca garganta do pobre homem. E a água não saiu. E a única umidade presente eram as das salgadas lágrimas que lhe molhavam o rosto.

O homem continuou a caminhada e morreu seco alguns quilômetros depois.



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