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Um Elogio à Guerra

Manual do Satanista

Este é um artigo sobre Um Elogio à Guerra, após sua leitura conheça nossa loja virtual.

- transformando soldados ideológicos em guerreiros pensantes -

 

“Forjas não obras de arte, mas espadas de morte. Lá está a grande arte.” – Os Vinte e Um pontos satânicos, Conrad Robury

“Toda a unanimidade é burra.” - Nelson Rodrigues

“A Guerra é coisa grave demais para ser confiada a militares” – Georges Clémenceau

É praxe nos caminhos religiosos das massas fazer com que a maior recompensa para seus devotos seja a conquista da paz. O Satanismo não promete tal coisa, tudo o que temos para oferecer é a guerra e o combate. O satanista está eternamente em guerra e é em sua luta diária que desenvolve a si próprio. O caminho que leva até o Self não é um campo de flores, e sim um campo de batalha.

Ao contrário do que o incauto possa pensar não são estas mesmas massas conformadas os maiores inimigos do satanista. O posto de adversário é alto demais para estes. Nossos opositores não são escolhidos por suas bandeiras, mas por aquilo que carregam dentro de si. Um verdadeiro inimigo é algo dificílimo de se encontrar, por isso deve haver uma festa no coração sempre que um deles é descoberto. Cuidado, no entanto para não me interpretarem erroneamente, bons amigos discutem no máximo sobre pessoas e eventos, mas bons inimigos discutem idéias e em suas idéias um conquista o território do outro.

Encontrar um adversário de valor é encontrar alguém que sabiamente saiba discordar de você. Tentar convencer alguém a pensar como nós é uma atitude natural em todos os seres humanos, pois evoluímos como bandos de macacos e sempre queremos conservar nossos aliados. Contudo rejeitar um inimigo, afastar alguém que pensa diferente em determinado assunto é algo totalmente inaceitável. Neste sentido o antigo jargão ganha duplo significado: mantenha seus amigos por perto, mas se agarre aos seus inimigos.

O ser humano não é preto e branco. É um multicor de idéias e pensamentos que está além de toda a classificação. Alguém pode se dizer católico, mas promove sem saber pensamentos xintoístas, islâmicos, taoístas, comunistas, etc... Um Thelemita pode ser sufi, um satanista pode ser budista. A verdadeira guerra não luta por rótulos e o guerreiro satânico preza seus inimigos mais do que a seus nomes, e prezam ainda mais os inimigos sem nome algum.

Um satanista que rejeita a convivência com outros por serem membros de outras religiões ou filosofias está sendo extremamente preconceituoso para não dizer estúpido. E no satanismo a estupidez é o primeiro de todos os pecados. A tentativa de estereotipar o ser humano através da classificação em um único modo de pensamento é um erro capital cometido por muitos. Ninguém consegue retratar em uma única palavra toda uma forma de religião ou filosofia mesmo que queira, de forma que seu aliado em uma idéia é o seu opositor em outra.

O preconceito é a mais comum das formas de estupidez, especialmente ao se rejeitar a convivência com uma pessoa por ela ser membro de uma filosofia ou religião diferente da sua. Antes de ser ateu, capitalista, humanista, democrático, ou o que for, somos todos seres humanos e sendo assim somos todos verdadeiras estrelas. Carregamos conosco todo um prisma de idéias e atitudes que não podem ser resumidas em uma única palavra, somos indivíduos únicos que carregam bagagens diferentes e portanto estamos, a todo tempo, formando uma visão do mundo mutante e singular.

O eterno guerrear com pessoas que pensam diferente amplia os horizontes do guerreiro e sendo assim o debate franco e honesto sem medo de represálias e violência de qualquer tipo só enriquece o ser humano. O conflito de idéias é, no fundo a verdadeira religião do satanista, e em sua igreja Satã não quer sentadas lado a lado pessoas que pensam exatamente da mesma forma. Que bem isso poderia trazer?

Se o verdadeiro amigo é aquele que sempre concorda e confirma tudo o que vem de você, então eu lhe digo: Odeie seus amigos. Odeie-os e ame seus adversários como verdadeiros irmãos. Em geral irmãos brigam, de desentendem e discutem o tempo todo, mas nunca existe a idéia que um irmão vai rejeitar o outro. Mesmo que exista antipatia de idéias não existe rejeição absoluta. É lógico que existem exceções, mas no geral é isso que acontece e é nesse sentido que chamamos todos aqueles que amamos odiar de nossos verdadeiros irmãos em irmãs em Satã.

Se existem dois que concordam com tudo, então um está mentindo. A divergência de opinião é a base do aprimoramento das idéias. É necessário guerrear com nossos inimigos. Caso todos concordassem com tudo, isso seria o indicio de que o conhecimento absoluto foi adquirido, o que é sempre obviamente falso. Citando uma passagem de Nietzsche, um dos meus grandes inimigos, sobre o tema:

“Irmãos na guerra! Amo-vos de todo o coração; eu sou e era vosso semelhante. Também sou vosso inimigo. Deixai-me, portanto, dizer-vos a verdade! Conheço o ódio e a inveja do vosso coração. Não sois bastante grandes para não conhecer o ódio e a inveja. Sede, pois, bastante grandes para não vos envergonhardes disso! E se não podeis ser os santos do conhecimento, sede ao menos os seus guerreiros. Eles são os companheiros e os precursores dessa entidade. Vejo muitos soldados; oxalá possa ver muitos guerreiros.”

”Vós deveis procurar o vosso inimigo e fazer a vossa guerra, uma guerra por vossos pensamentos. E se o vosso pensamento sucumbe, a vossa lealdade, contudo, deve cantar vitória. Deveis amar a paz como um meio de novas guerras, e mais a curta paz do que a prolongada. Não vos aconselho o trabalho, mas a luta. Não vos aconselho a paz, mas a vitória. Seja o vosso trabalho uma luta! Seja vossa paz uma vitória!”

Aleister Crowley, certamente uma das maiores influências de LaVey ao conceber o satanismo moderno, disse em seu Livro da Lei: “Desprezai também todos os covardes; soldados profissionais que não ousam lutar, mas brincam; todos os tolos desprezai! Mas os afiados e os altivos, os régios e os elevados; vós sois irmãos! Lutai como irmãos!”

O satanista, para seguir o caminho da guerra, deve entender que mesmo na guerra está rodeado de irmãos. Se os seres humanos conseguirem ampliar a noção de família e aprendessem a fraternalmente guerrear, creio que muitas coisas mudariam no mundo e a Era Satânica se estabeleceria por definitivo. O animal humano é da mesma espécie e sendo assim todo homem e toda mulher é membro de uma mesma tribo. Respeitemos então nossos inimigos como um dos nossos. Respeitar não significa aceitar uma idéia sem participação ativa ou não debater opiniões, significa aceitar quando você chega a um ponto em que não tem acordo, que ninguém vai concordar com tudo que você pensa afinal cada um tem uma bagagem diferente

Será para seu próprio beneficio que o satanista despertará para o fato de que a guerra e o conflito fazem parte da vida, não sendo um erro existencial, mas sim parte inerente a própria existência. Ela acontece naturalmente porque as pessoas carregam impressões que as fazem encarar as coisas de forma diversa.

A Verdadeira Guerra contudo, raramente é violenta. Por violência entendemos aqui subjugar a Verdadeira Vontade do outro. O verdadeiro egoísmo disse Oscar Wilde, não consiste em viver conforme nossos desejos, mas sim em exigirmos que os outros vivam da mesma forma. O verdadeiro altruísmo consiste da mesma forma em deixar cada um viver do modo que lhe parecer melhor.

Este é o caminho do guerreiro satânico, no qual a jihad é mais interna do que externa e a paz é mais a ausência de violência do que a abstinência de conflitos. A ausência de conflitos implicaria numa negação absoluta da liberdade humana, pois a unanimidade só pode ser obtida forçando todos a um único molde de pensamento rechaçando assim a individualidade de cada um.




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