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A lei da reciprocidade

Satanomicon

Este é um artigo sobre A lei da reciprocidade, após sua leitura conheça nossa loja virtual.

Tanto a idéia de pecado quanto de carma funda-se na infusão do sentimento de culpa, que é o grande responsável pela carga perniciosa que acomete a pessoa que agiu “errado”. Ainda mais, quem nutre sentimento de culpa torna-se perfeitamente manipulável por terceiros. É fácil, basta invocar a “consciência” do afligido e o mesmo agirá de modo a readquirir a homeostase anterior, o mesmo estado de tranqüilidade que havia antes que alguém lhe apontasse a suposta falha, para tal – é claro! - cumprindo os desígnios do manipulador. Favorece, assim, o vampirismo psíquico.

É evidente que o satanista não abriga tal sentimento, porque, além de ser fútil, trabalha sempre contra si. Se o satanista percebe que cometeu um verdadeiro erro, simplesmente o corrige, e não irá cometê-lo de novo. Caso contrário, é inútil apoiar um jogo sórdido que não conduz a lugar algum e, ainda por cima, direciona o ser em direção a um rol de problemas gratuitos.

Ambos, carma e pecado, alicerçam-se em recompensas e castigos futuros, tirando a eficácia do presente. Se a pessoa comete um ato “bom” e só vai receber a recompensa no futuro, qual é a vantagem em praticá-lo? Qual é a prova que realmente existirá um futuro nos moldes que as religiões “divinas” enfatizam? Do mesmo modo, em relação a um ato “mau”, qual é a prova da existência de um castigo eterno ou de uma reencarnação expiatória? De fato, quando se posterga a conseqüência de um ato para uma “outra vida”, tira-se totalmente a responsabilidade NESTA vida, onde o castigo realmente poderia ser exemplar e surtir o efeito desejado. Destarte, torna-se cômodo ser “mau”, porque, ao menos religiosamente, não é punível no presente.

Bem e mal, cabe lembrar, são relativos, subjetivos, contudo, já que nadamos dentro do mar da ilusão, algumas detalhes devem ser levados em conta. O entendimento do caráter ilusório da dualidade permite maior liberdade, mas não permissividade. Quem resolve fazer tudo o que deseja, certamente irá pagar um preço, já que a vida não perdoa a estupidez.

A partir daí, é possível entender que há certas regras, dentro da ilusão, que não devem ser quebradas, sob pena de retaliação imediata. Chama-se isto reciprocidade. A reciprocidade trabalha com a fórmula “tratar os outros como gostaria de ser tratado”. Assim, se alguém quer cordialidade, amizade, respeito, busca dar o exemplo em primeiro lugar; caso contrário, que assuma as conseqüências.

As vantagens da reciprocidade são:

  • Efeito imediato. Tanto a gentileza quanto a agressividade, ao gerar uma ação recíproca, são imediatos, pois dão satisfação a quem os devolve. No primeiro caso, na retribuição da gentileza, dá-se a continuidade de uma relação, seja de amizade, de amor, de emprego etc. No segundo, pela resolução de um conflito, pois, ainda que saia perdedor, a pessoa não ficará lamentando sua passividade como um covarde.
  • Efeito preventivo. A reciprocidade permite a prevenção de inúmeros problemas, pois, se a pessoa está ciente da idêntica retribuição, agirá de forma mais responsável e consciente, contribuindo para um melhor convívio entre as pessoas. Portanto, se a pessoa sabe que dando uma bofetada em alguém levará outra, pensará duas vezes antes de passar à ação.
  • Efeito gratificante. Torna-se prazeroso ver pendências resolvidas. Tudo que é deixado por resolver causa inquietação. Se alguém lhe dá um presente e, depois, você dá outro, ambos saem satisfeitos. Da mesma forma, se alguém lhe dá um tapa e você devolve, não ficará se remoendo por não ter retribuído à altura; sairá, sim, satisfeito por ter agido como deveria.
  • Efeito geral. Se alguém comete um crime, tendo a grande probabilidade de ser condenado de forma justa, rápida e exemplar, então evitará cometê-lo. Tal contribuirá para uma sociedade com maior qualidade de vida. Apenas um adendo: a sociedade ainda não alcançou este status quo.
  • Efeito concreto. Não se delega a um futuro ilusório a aplicação do castigo: este é aplicado no presente, tão logo sejam sanadas quaisquer dúvidas em relação ao criminoso.

A reciprocidade possui uma exceção. Algumas vezes, é necessário esperar o momento adequado para retribuir a ofensa. Astúcia, segundo Ben Caria, “é receber o mal e calar, e dar o golpe na boa oportunidade”. Em outras palavras, aguardar um momento mais satisfatório para devolver o presente na mesma moeda.

Sendo a reciprocidade uma evolução da lex talionis, assenta-se na mesma proporção do mal causado e não apenas imitar a ofensa. Assim, se determinado indivíduo comete um estupro, uma forma de retribuir ao mal causado seria acabar com a vida sexual do mesmo definitivamente. O melhor método é uma injeção na base do pênis, sem necessidade de mutilar o órgão genital. Possui as seguintes vantagens:

  • Previne o crime, diante do capitulação da pena exemplar.
  • Dá perfeita satisfação à vítima e sua família.
  • Castiga-se adequadamente o criminoso, que nunca mais cometerá o mesmo delito.

Aos melindrados que opõem-se a tais medidas, dizendo que violência gera violência, respondo que a sociedade, em si, já é violenta, e discursos intelectualóides não resolvem nada. Um discurso pode ser bonito e ao mesmo tempo imbecil, então é melhor colocá-lo num quadro, pois não funciona. Na vida, são necessários o pragmatismo e a funcionalidade. Cirurgicamente, um câncer se arranca, e o criminoso é um câncer social.

A guerra é uma das maiores aplicações da reciprocidade, já que nenhum país permanece inerte diante de uma agressão não provocada, a não ser em caso de capitulação e, ainda assim, é curial haver resistências, como a francesa na 2a. Guerra Mundial, quando minava os nazistas diante de inúmeras ações terroristas.



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Câncer social

Posted by Anonymous User at 2007-10-09 01:52
Como pode um texto começar tão bem e terminar tão mal?

Qual é o discurso "intelectualóide" ao qual vc se refere? Porque se não há clareza em relação ao que vc critica mas simplesmente uma reação infantil e grotesca como essa, fica difícil sustentar um argumento de maneira decente.

Todo e qualquer questionamento acerca da validade deste tipo de punição para um criminoso é, então, tida como tola ou inútil sem ser discutida com mais cuidado?

Bem, qualquer pessoa inteligente sabe que é muito triste o fato de o Câncer só poder ser extirpado, ao invés de previnido. E por isso mesmo a ciência médica luta para descobrir suas causas, ao invés de se contentar com a existência de um tratamento, que diga-se de passagem, costuma ser apenas temporário, com a doença voltando a se manifestar mais adiante!

Pragmatismo e funcionalidade são essenciais sim mas não devem ser confundidos com a estupidez gerada pela preguiça de buscar as causas e soluções para um problema social como a criminalidade.

Tudo bem, um criminoso é um câncer social e, como vc diz, cirurgicamente, deve ser estirpado, mesmo sabendo-se que logo em seguida surgirão sempre outros tumores mas, sem problemas, não é mesmo?
Afinal, devemos ser pragmáticos, e não ficar perdendo tempo com essas baboseiras de "melhor previnir do que remediar", como, alíás, fazem os países socialmente mas adiantados do mundo, que gastam muito mais recursos previnindo o crime do que inventando novas formas de "cirurgia social" para extirpar o "câncer"...

Com todo respeito, sua analogia do social com o corpo humano aqui é completamente imbecil!

Ah, tem que dar um crédito, afinal, anos sessenta, Estados Unidos, Califórnia...era de se esperar!!!

O maior crime de todos.

Posted by Anonymous User at 2007-10-09 11:09
Sou satanista, mas concordo com o comentário acima. O fato é que as leis, especialmente as leis brasileiras são tão confusas e tão abrangentes que todo cidadão é virtualmente um criminoso.

Contudo, obviamente não se pode prender a todos, então é necessário um filtro ou seja, é necessário decidir 'quem será preso' Existe pessoas mais "criminalizadas" do que outras... Geralmente o negro, pobre.

Por exemplo, o tráfico de drogas acontece tanto em bairros nobres como na periferia. Mas nos bairros nobres acontece dentro das casa, nos clubes, etc.. na periferia é na rua mesmo, onde a polícia espera para cumprir seu papel.

Olho por olho é excelente na esfera pessoal mas funciona como paliativo, mas nem de longe resolve o problema sociais em todos seu contexto.